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Os legados da Semana de Arte Moderna de 1922 para a música

Alô, pessoas!  

A Semana de Arte Moderna teve seu primeiro dia datado em 13 de fevereiro de 1922. Ocorreu entre 13 e 17 de fevereiro. Há 100 anos artistas modernistas brasileiros se juntaram em São Paulo para mostrar ao Brasil e ao mundo o que a arte modernista tinha para oferecer. Principalmente artistas plásticos e escritores fizeram parte esse grande evento, mas claro que a música também esteve presente — em um protagonismo um pouco menor. A intenção desses artistas era mostrar uma nova percepção de arte para os brasileiros. Uma visão abrasileirada da arte europeia, tendo como principal objetivo mostrar o jeitinho brasileiro de fazer arte.  

A arte moderna brasileira tem como inspiração as famosas vanguardas europeias, que em diferentes lugares da Europa criaram estéticas novas para, principalmente, pinturas. Esses novos estilos de arte rompiam totalmente com o padrão de pintura da época. Tudo isso foi influenciado primeiramente pelo impressionismo francês no século XIX, algo que refletiu muito na música também, diga-se de passagem. No século XX temos expressionismo, surrealismo, cubismo, futurismo, dadaísmo e muitos outros movimentos; e foram esses movimentos que deram origem à Semana de Arte Moderna no Brasil.  

Inicialmente os artistas criaram muita expectativa com o evento, mas a repercussão esperada não foi a mesma. Houve muita divergência por parte de especialistas e o próprio Monteiro Lobato fez um comentário muito rude a respeito das obras apresentadas. Além dos comentários rudes, houve muita vaia.  

Como foi dito, a música estava presente no evento e ninguém mais, ninguém menos que Heitor Villa-Lobos ia se apresentar no Teatro Municipal de São Paulo. Infelizmente, a sorte também não sorriu para ele, pois também foi muito vaiado porque os expectadores acharam um absurdo um maestro se vestir de forma tão irreverente quanto as pinturas, as esculturas e os poemas. Villa-Lobos estava com uma inflamação em seu pé, o que o impediu de usar sapatos, então, para se apresentar, ele usou um sapato formal em um pé e no outro usou um chinelo. Além disso, complementou seu visual com uma casaca, uma vestimenta muito formal. Tudo isso contribuiu para que o seu público criticasse o compositor e sua presença no evento ficou mais conhecida por causa da forma que ele estava vestido.  

Villa-Lobos foi o único compositor profissional convidado e sua primeira impressão não foi uma das melhores, além de que, segundo especialistas como o professor de literatura da PUC-Rio, Frederico Oliveira Coelho, em uma entrevista com o site IHU Online: ''basta pensarmos, por exemplo, que não tiveram novas músicas compostas por Villa-Lobos para as apresentações no Municipal de São Paulo'', ou seja, Villa-Lobos não apresentou nada de novo no evento, no entanto, já naquela época ele já tinha uma estética que era norteada pela brasilidade e era reconhecido como um grande compositor e maestro.  

A Semana de Arte Moderna teve muita repercussão negativa devido a não aceitação daquilo que é novo. Sendo assim, talvez fosse impossível deixar um legado positivo para história do Brasil. No entanto, esse grande evento deixou mais legados que podemos imaginar para a arte como um todo! E o legado que essa semana deixou para a música é surpreendente.  

Anos depois do evento, o movimento modernista continuou entre os escritores, pintores e escultores. Na música, é relativo dizer que faz parte do movimento ao longo de suas fases, mas podemos dizer com absoluta certeza que a música brasileira não seria a mesma sem o movimento modernista e sem a Semana de Arte Moderna de 1922 por vários motivos. Um deles é que essa ideia de buscar a brasilidade em uma arte estrangeira para criar algo original foi o que motivou muitos artistas como o próprio Villa-Lobos a misturar música erudita de raízes europeias com a música popular criada em solo brasileiro como samba e chorinho. A mistura desses elementos em busca de algo novo trouxe nomes como Tom Jobim (maestro e compositor), Vinícius de Moraes (compositor e escritor), Osvaldo Lacerda (pianista e compositor), Francisco Mignone (compositor) e entre outros grandes nomes da bossa nova, da mpb e da música erudita brasileira.  

Outro legado para a música é a influência de buscar a irreverência ao antigo, ao ultrapassado. Um ótimo exemplo é o tropicalismo, um movimento musical que aconteceu nos anos 1960 aqui Brasil, que tinha inspiração, sobretudo, no movimento antropofágico de Oswald de Andrade — um importante modernista — que presava na absorção da arte estrangeira para criar algo genuinamente brasileiro. A música da Tropicália segue a mesma lógica dos poemas modernistas no quesito mudança de forma de se expressar, tentando sempre se opor ao comum e inovando estéticas de escrita, de musicalidade e de ritmos.  

Embora a Semana de Arte Moderna não tenha alcançado a fama merecida em sua época, ela foi de extrema importância para a arte no geral e sem essa semana de apenas três dias, o mundo artístico brasileiro seria totalmente diferente. Por isso cabe a nós relembrarmos desse momento que inspirou, inspira e sempre vai inspirar novos artistas, seja de modo direto, seja de modo indireto. 





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